quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Retrato do jovem midiático

Como forma de conhecer melhor o público infanto-juvenil ávido por consumir todos os tipos de mídias, uma estratégia importante para o mercado é segmentar ainda mais as pesquisas para saber detalhes dos hábitos e gostos desta geração.

Os resultados apontam a internet como o grande espaço interativo no qual eles se encontram, expressam o que pensam e passam grande parte do tempo. "Realizamos diversos tipos de pesquisas com o público infantil e seus responsáveis. Esses estudos abrangem questionários, enquetes online, mensuração da preferência de audiência e focus groups. Além disso, asseguramos que os programas atinjam as metas educacionais e de avaliação como rede de TV", afirma Fernando Medin, diretor geral e vice-presidente sênior da Discovery Networks.


As respostas são bem variadas, mas o principal consenso é de que os jovens não só passam muito tempo online, como conferem ao mundo virtual um sentido de autenticidade da informação. A TV já perdeu há muito tempo seu trono de preferida. Apesar de ser vista por 99% dos jovens de 12 aos 18 anos, segundo o IBOPE Mídia, ela não é consideradaa formadora principal da cabeça dessa turma.

Responsável pelo estudo Dossiê Universo Jovem — que chegou à quarta edição no ano passado, com asustentabilidade como tema central — a MTV ouve pessoas entre de 12 a 30 anos, das classes A, B e C, em Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e Distrito Federal, para saber o que eles pensam.

Um dado importante é que a internet é acessada na maioria dos casos em lan houses (5896 das respostas). Outro ponto a ser considerado pelas marcas interessadas em investir no público: as conversas online giram em torno de música (37%), esporte e profissão (26%). E de acordo com o Dossiê, o uso da mídia social e do SMS cresceram bastante entre 2005 e 2008. Quatro anos atrás, 14% dos entrevistados utilizavam o Orkut. No ano passado, esse índice pulou para 83%. Já a troca de mensagem passou de 43% para 81%, no mesmo período.

Em outro estudo, desta vez do próprio Orkut, constatou-se que o maior interesse na internet é por foto e vídeo, com 67% das preferências, seguido de conhecimento geral, com 65%, e tecnologia, com 63%. A pesquisa feita neste ano apontou as razões para o ingresso em redes sociais. O motivo principal é encontrar amigos (90%) e buscar conhecidos (89%). A terceira razão é fazer novos amigos (78%).

A novidade é que existe uma boa aceitação de anúncios de produtos nas redes sociais. Para 28% dos entrevistados as peças são atraentes. Quando se trata de publicidade, 65% querem saber de novos itens, enquanto 60% desejam conhecer as caracterfsticas do produto. Além disso, 81% não acham tão ruim participar de uma comunidade virtual com patrocínio de uma empresa.

Pré-adolescentes

O perfil de consumo em que o canal pago Boomerang resolveu investir é o denominado tween, ou pré-adolescente — meninos e meninas entre 8 e 14 anos, o que concentra 15% da população brasileira. No mundo, esse segmento representa um mercado de US 25 bilhões.

Um dado relevante do estudo — divulgado em agosto — é que a decisão das compras cresce com a idade. Dos meninos entre oito e dez anos, 5% se consideram compradores. Na faixa dos 14 anos, essa fatia pula para 25%. No caso das meninas, nos mesmos grupos etários descritos, elas saem de 6% para 24%. Tanto eles quanto elas apontam que o primeiro item do qual não se esquecem ao sair de casa é o celular: as respostas são 56% e 61%, respectivamente.

Realizada em maio, a pesquisa foi dividida na fase quantitativa — entrevistando 1.036 tweens das classes A, B e C, via internet — e duas pesquisas qualitativas com um público mais seleto. Como critério para caracterizar as tribos, foram definidos seis grandes grupos de acordo com as conclusões das entrevistas: esportistas (as meninas, principalmente , não tiram os olhos de suas performances), briguentos ou bagunceiros (chamam a atenção pelas confusões armadas e por tirarem notas baixas na escola), patricinhas ou playboys (querem aparecer e usam muitos acessórios) , nerds (estudam muito, são bem vistos pelos mais novos e detestados pelos quase adolescentes), emos (muito sensíveis e choram com facilidade) e populares (adorados por todos).

Outro dado valioso para o mercado publicitário foram as marcas preferidas por essa garotada. Desde tênis até equipamentos eletrônicos, existe um detalhamento de como esses tweens consomem e quais as combinações que abominam. "Segmentos como as operadoras de celular, maquiagem e grifes de roupas precisam enxergar os pré-adolescentes como um filão a ser conquistado. O estudo demonstrou que esse público sabe o que quer e que não deseja ser tratado como criança", afirma Rafael Davini, vice-presidente de publicidade e marketing para Brasil, Miami e México da Turner Intemational do Brasil.

Isso fica mais evidente quando o assunto é tecnologia. Segundo o estudo Paidecendo no Paraíso, da Viacom Networks Brasil, proprietária dos canais Nickelodeon, Nick Jr., Vh1 e MTV Hits, 40% dos pais e mães entrevistados dizem que os experts da casa são os filhos. Eles admitem que ficou para trás o tempo do "não mexa aí". Nesse cenário, é natural que a influência dos filhos na decisão de compras desses itens também seja alto. Vale conferir os índices: celular 94%, TV 39%, computador 38% e provedor de intemet 28%. Outro reflexo, tanto da mudança do papel dos pais em casa quanto da influência das crianças na aquisição de eletrônicos, é comprovado pelo número de lares que possuem videogames: 61%.

Uma das conclusões mais importantes é que os pais estão mais presentes nas tarefas domésticas o que significa que eles têm conversado mais com os filhos. "Esse diálogo resulta em um encontro entre o afeto e a autoridade. Um dos momentos em que isso mais acontece é na hora em que ambos veem televisão", analisa Beatriz Mello, gerente da pesquisa.

Os resultados da pesquisa, que vem sendo realizada desde 2006, em certa medida influem na grade do canal Nick, que busca comprar novos programas que falem a linguagem dos jovens. Um exemplo é a novela venezuelana Isa TKM, recentemente exibida, em que a protagonista tem twitter, blog e até comunidade no Orkut. A segunda parte, chamada de Isa TKmais, estreia cm breve.

Marcas preferidas:

Pesquisa do canal Boomerang mostra o que meninos e meninas apreciam mais em dois segmentos:

Roupas
Meninos: Adidas, Tigor T. Tigre, Billabong, Ecko Unlimited e Nike.
Meninas: Lilica Ripilica, Adidas, Hering, Nike e C&A.

Calçados
Meninos: Reebok, Olympikus, All Star, Nike, Adidas.
Meninas: Nike, All Star, Reebok, Puma, Melissa, Adidas.

Fonte: jornal Meio & Mensagem

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pesquisa indica que apesar da crise, imigrantes não querem voltar

Apesar de fortemente afetados pela crise econômica global que atingiu de maneira intensa os países desenvolvidos, a maioria dos imigrantes econômicos abrigados nesses países preferiu permanecer a voltar aos seus locais de origem, segundo indica uma pesquisa preparada com exclusividade para o Serviço Mundial da BBC.

O estudo, feito pela organização americana Migration Policy Institute (MPI), também indica que a crise reduziu o fluxo de migrantes em busca de melhores condições pelo mundo.

Os dados levantados pela pesquisa mostram ainda que os imigrantes estão entre os grupos mais atingidos pela crise e que as remessas de dinheiro enviadas por eles aos seus países sofreram uma queda na maioria das regiões.

Apesar dessa queda nas remessas, esse envio de dinheiro vem ganhando importância relativa para os países que a recebem, já que outras fontes de ingressos de divisas vêm se contraindo.

Brasil é exceção

Apesar das tendências globais apontadas pela pesquisa, há algumas exceções como o caso do Brasil, como aponta o vice-presidente da MPI e co-autor do estudo, Michael Fix.

Imigrantes brasileiros, principalmente nos Estados Unidos e no Japão, estão retornando em grande número ao Brasil, mas apesar disso as remessas de dinheiro ao país vêm aumentando.

Para Fix, uma das principais razões para o retorno de um grande número de imigrantes brasileiros ao país é econômica, já que a economia do Brasil vem se saindo relativamente melhor do que a dos países de destino dos imigrantes.

“Em estudos anteriores, verificamos que as decisões dos imigrantes sobre retornar ou não aos seus países de origem tinham mais relação com as condições econômicas em seus países natais do que nos seus países de destino”, afirma Fix.

Outra questão apontada por ele para justificar o retorno em grande número dos imigrantes brasileiros é o fato de que muitas de suas ocupações nos países de destino foram mais afetadas pela crise econômica global.

Esse seria o caso, por exemplo, da construção civil nos Estados Unidos, onde há uma grande concentração de imigrantes brasileiros. Segundo a MPI, 21% dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos estavam empregados na construção civil, em comparação com os 8% dos trabalhadores americanos empregados pelo setor.

O fato de um número menor de imigrantes estar enviando uma quantidade maior de dinheiro ao Brasil poderia ser também uma consequência do bom momento da economia brasileira, na avaliação de Fix.

“É possível que parte desse dinheiro não esteja sendo usado para a compra de produtos essenciais, mas enviado para aproveitar o melhor clima para investimentos no Brasil”, diz ele.

Fonte: BBC Brasil



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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Personalização, essencial para pesquisas com a classe A

Fonte: Instituto de Pesquisa Fractal

Essencial para desenvolver estratégias que valorizem as marcas, a pesquisa de mercado é uma das ferramentas mais confiáveis para obtenção de informações representativas sobre determinado público-alvo. Quanto mais alto o poder aquisitivo, mais difícil é o acesso aos entrevistados. Segundo análise promovida pelo Instituto de Pesquisa Fractal, empresa de pesquisa e consultoria de negócios do Brasil, o desenvolvimento de ações direcionadas ao tratamento diferenciado à classe A é o caminho para se obter êxito junto a este público.

Entre as particularidades, Celso Grisi, diretor-presidente do instituto e professor da FEA/USP, destaca a necessidade de uma primeira abordagem via correio, em que são feitas as apresentações e sugestão de um contato telefônico para agendamento da entrevista. A peça a ser enviada pelo correio deve ter esmerada apresentação gráfica e conteúdo seletivo. As respostas devem ser colhidas em um ambiente privado, em que se consiga um alto nível de atenção. Não se deve permitir ninguém por perto e reforçar o tratamento confidencial a ser dado às respostas dos entrevistados. Mantê-los no anonimato é questão crucial para obter respostas confiáveis.

A diferenciação no tratamento se estende, inclusive, aos incentivos oferecidos aos que colaboram com as pesquisas. Brindes são agrados sem relevância para esse tipo de público, por isso a troca, nesses casos, se dá por meio de informações relevantes aos seus negócios ou aos seus interesses pessoais, por exemplo.

Para que haja qualidade nas informações obtidas, o Prof. Grisi também destaca a importância da identificação entre entrevistados e pesquisadores. Isso envolve a maneira de se vestir, o vocabulário utilizado e o conhecimento sobre assuntos de interesse do respondente. “Para que haja confiança e interação no decorrer da pesquisa, o entrevistado deve entender o pesquisador como pertencente ao seu grupo social”, explica o Grisi, que reforça: “No fundo trata-se do que se tem chamado de espelhamento social”.

Segundo o professor, a falta de profissionais qualificados é um dos principais problemas que afetam diretamente a imagem do setor. “Encontrar pessoas capacitadas a desenvolver esse tipo de trabalho com qualidade está ficando uma tarefa cada dia mais difícil”, observa.

Na disputa com seus concorrentes, as empresas de pesquisa passam a oferecer propostas a preços cada vez mais baixos, reduzindo suas margens de lucro e, por essa razão, renunciando aos padrões de qualidade de seus produtos de pesquisa. “É melhor decidir sem nenhuma informação do que com uma informação errada” afirma.

Para o executivo de área de pesquisa, a estratégia para quebrar esse círculo vicioso é aperfeiçoar a qualidade dos produtos e obter ganhos de produtividade. “Com preço não se pode brincar, afinal os clientes contratam esses estudos para obter informações confiáveis que possam alicerçar suas decisões. Um erro, nesse caso, costuma custar caro ao cliente habituado a decidir sobre informações de pesquisa”, sustenta o professor.
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