quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pesquisa indica que apesar da crise, imigrantes não querem voltar

Apesar de fortemente afetados pela crise econômica global que atingiu de maneira intensa os países desenvolvidos, a maioria dos imigrantes econômicos abrigados nesses países preferiu permanecer a voltar aos seus locais de origem, segundo indica uma pesquisa preparada com exclusividade para o Serviço Mundial da BBC.

O estudo, feito pela organização americana Migration Policy Institute (MPI), também indica que a crise reduziu o fluxo de migrantes em busca de melhores condições pelo mundo.

Os dados levantados pela pesquisa mostram ainda que os imigrantes estão entre os grupos mais atingidos pela crise e que as remessas de dinheiro enviadas por eles aos seus países sofreram uma queda na maioria das regiões.

Apesar dessa queda nas remessas, esse envio de dinheiro vem ganhando importância relativa para os países que a recebem, já que outras fontes de ingressos de divisas vêm se contraindo.

Brasil é exceção

Apesar das tendências globais apontadas pela pesquisa, há algumas exceções como o caso do Brasil, como aponta o vice-presidente da MPI e co-autor do estudo, Michael Fix.

Imigrantes brasileiros, principalmente nos Estados Unidos e no Japão, estão retornando em grande número ao Brasil, mas apesar disso as remessas de dinheiro ao país vêm aumentando.

Para Fix, uma das principais razões para o retorno de um grande número de imigrantes brasileiros ao país é econômica, já que a economia do Brasil vem se saindo relativamente melhor do que a dos países de destino dos imigrantes.

“Em estudos anteriores, verificamos que as decisões dos imigrantes sobre retornar ou não aos seus países de origem tinham mais relação com as condições econômicas em seus países natais do que nos seus países de destino”, afirma Fix.

Outra questão apontada por ele para justificar o retorno em grande número dos imigrantes brasileiros é o fato de que muitas de suas ocupações nos países de destino foram mais afetadas pela crise econômica global.

Esse seria o caso, por exemplo, da construção civil nos Estados Unidos, onde há uma grande concentração de imigrantes brasileiros. Segundo a MPI, 21% dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos estavam empregados na construção civil, em comparação com os 8% dos trabalhadores americanos empregados pelo setor.

O fato de um número menor de imigrantes estar enviando uma quantidade maior de dinheiro ao Brasil poderia ser também uma consequência do bom momento da economia brasileira, na avaliação de Fix.

“É possível que parte desse dinheiro não esteja sendo usado para a compra de produtos essenciais, mas enviado para aproveitar o melhor clima para investimentos no Brasil”, diz ele.

Fonte: BBC Brasil



____________________________________________________________________
Este texto pode ser copiado, distribuído, reproduzido, transmitido ou publicado em outros sites desde que mantidas as mesmas referências ao autor e à este Portal (www.PesquisadorModerno.com.br)


Marcadores: , , , , , ,

Leia mais!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Artigo - Querem limitar o exercício da profissão

por Dulce Perdigão

Nosso amigo Max estava conduzindo um estudo com Discussões em Grupo para acompanhar a aceitação e/ou rejeição da comunicação da campanha para Prefeito de uma cidade do interior que precisou interromper por ordem judicial. A alegação era de que contrariava a legislação eleitoral.

Em sessões de grupo, como se sabe, se distribui comes e bebes. Isso, na pesquisa eleitoral, foi caracterizado como compra de voto.

O que mais haveria para nos fazer indignar? Este foi o meu primeiro sentimento - INDIGNAÇÃO. Outros sentimentos e palavras vêm brotando em complemento - PERPLEXIDADE, CANSAÇO, DESALENTO, REVOLTA.


E sabe por quê? Eu, Max, Maxime Castelnau, Alfredo Carmo, Alvaro Marchi (estes três que já se foram), Otavio da Costa Eduardo, Pergentino Mendes de Almeida, Geraldo Magela (que escreveu recentemente algo até divertido nos “causos” do e-news da ABEP), nós todos – digamos pioneiros - e muitos mais profissionais (na correta acepção do termo) de PESQUISA DE MERCADO, OPINIÃO e MÍDIA, do alto dos nossos mais de 60 anos de vida e mais de 40 de atividade na área, temos que nos penitenciar por não termos conseguido passar o conhecimento devido, a importância merecida e a prática correta de uma profissão que participa da vida de todos os seres humanos, indistintamente.

É só olhar em volta e pensar em como esta profissão contribui para entregar produtos de melhor qualidade e de acordo com as necessidades das pessoas. De medicamentos, alimentos (inclusive para animais), produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza doméstica, vestuário e calçados, automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos e podemos exagerar - da lâmpada que ilumina a água que bebemos - tudo pode ser melhor ou pior com ou sem pesquisa de mercado. Sem contar ainda as áreas da comunicação e da mídia.

Ouso comparar a atividade de pesquisa com o ar que respiramos - ninguém percebe, mas na sua falta, ou principalmente má qualidade, as conseqüências são desastrosas. Só os profissionais de verdade sabem disso.

Aí, volto a pensar no que já havia desistido de debater, mas que foi uma constante nos meus quase trinta anos de UNILEVER - que nós pesquisadores erramos em nos dedicarmos tão seriamente a profissão; em trabalhar apenas nos bastidores do Marketing, da Comunicação e da Mídia; em despender tempo com eventos meramente acadêmicos, intra-classe, para desenvolvimento de metodologias, códigos de ética e de conduta; em cultivarmos características tão introspectivas, analíticas, técnicas e; infelizmente, em aceitarmos ser tão LOW PROFILE.

Fizemos o que com esta profissão? Geramos um protecionismo e preciosismo na sua aplicação que apenas os que estão na faixa etária dos 50 ou mais, dos 30 anos ou mais de atividade (e que estão saindo do mercado ou da vida), conseguem entender, executar decentemente, extrair o máximo dos seus resultados e principalmente aplicar.

Nas recentes reuniões da classe ou apresentações e eventos que envolvem clientes de que tenho participado, somos (nós, a velha guarda) animais em extinção. Os jovens que participam dos dois lados principais - fornecedor e usuário - da logística da pesquisa de mercado estão construindo um perfil totalmente diferente. Infelizmente, na maioria dos casos, predomina o que o mundo atual valoriza: imediatismo, oportunismo, vedetismo e muito pouco comprometimento. Os gurus da administração e do marketing, mais do que nunca, continuam ditando as regras.

E todos, gurus ou executivos, fazem questão de ignorar a diferença da pesquisa paredão BBB da que mantém um marca como OMO no mercado há mais de 50 anos ou faz da COCA-COLA e NIKE marcas globais.

Eu ainda divago sobre estes assuntos nas atividades de capacitação e treinamento como os cursos da ABEP, ASBPM e FESPSP. Esta discussão agora tem exemplos muito mais latentes e digeríveis, com a falência das agências de avaliação de risco, as Merril Lynch, Morgan Stanley, Goldman Sach e outras.

Talvez tenhamos aí mais uma oportunidade de mostrar a diferença do papel dos PROFISSIONAIS da pesquisa de mercado e dos "gurus", de qualquer tipo.

Foi o que sempre tentei, quando podia cutucar nossos colegas a assumirem o seu papel de consultoria e planejamento estratégico dentro das empresas. Estas agências, bem como as consultorias tradicionais, tipo Mckynsey, Deloitte, etc, no seu processo de trabalho se utilizam dos executivos de marketing e pesquisa das empresas e a partir das informações e experiência destes, sabem sim fazer grandes apresentações, impor decisões e cobrar altíssimos cachês. De novo, sem nenhum embasamento e comprometimento, mas muito marketing e mis-en-cène. É um posicionamento, mas facilmente suplantado, se houvesse um mínimo de ambição do pesquisador.

Como cliente de pesquisa, tentei motivar meus pares de empresas de mesmo porte e importância no uso de pesquisa - NESTLE, JOHNSON & JOHNSON, COCA-COLA, FORD, PROCTER, etc e também os principais institutos com quem trabalhava RI, IPSOS, LPM/BURKE, LATIN PANEL, ACNIELSEN, etc a se engajarem num processo de moralização, profissionalização e valorização da profissão (sic).

Enquanto as bolhas crescem (a da tecnologia, a do mercado imobiliário americano, a da bolsa de valores e porque não, do mercado de pesquisa), ninguém se preocupa ou acredita que há necessidade de investimento de recursos na previsão do seu próprio futuro (veja o caso das agências de risco). E nisso temos sido tão ou mais negligentes do que as tais agências.

Vejo agora a iniciativa louvável e quase solitária do Magela para a criação do SINPEME, objetivando principalmente fazer com que a atividade seja executada apenas por quem entende, e mais que isso, remunerada pelo valor que os profissionais da base merecem. O que conseqüentemente pode agregar valor a todos os elos da corrente.

Não creio que devamos nos manifestar apenas contra a proibição da discussão em grupo. Isso é muito importante, sim. Mas dentro de um contexto, onde trabalhemos para a divulgação de massa, de peso e com conteúdo, do resgate da Pesquisa de Mercado, além do SINPEME. Da maneira como sabemos aconselhar nossos clientes a trabalharem o marketing e comunicação dos seus produtos.

Ou continuaremos assistindo passivamente a todo tipo de desmando? Que outros, além destes?

- Agencias de turismo atuando como institutos de pesquisa?
- Pagamento de R$1,00 por entrevista?
- Leilão reverso como prática em concorrências?
- Departamento de compra das empresas decidindo pela melhor proposta?

A quem interessa deixar as coisas correrem como estão?

Há muito sabemos como está mais difícil a cada ano a obtenção da amostra no universo requerido, do acesso a domicílios, e do contato com o publico alvo (tecnicidades desta profissão e, de novo, que só nós entendemos).

Regras concordadas e técnicas conhecidas para garantir a representatividade e diminuir a mortalidade da amostra existem, tanto para garantir o acesso e distribuição geográfica (em favelas, por exemplo), como para acesso e coleta da informação (ex.: pagamento da hora de consulta médica), além, obviamente, do necessário ressarcimento do tempo dedicado em pesquisas qualitativas e outros tipos de pesquisas que exigem deslocamento do entrevistado (como discussões em grupo, clínicas de automóvel, etc).

De novo, quem se preocupa com isso em épocas normais, períodos não eleitoreiros e politiqueiros?

Nossa culpa, de novo. Sempre se discute, quando uma eleição se aproxima, a necessidade de aproveitar a ÚNICA época de exposição da profissão para fazer alguma coisa EM PROL. Como nunca fazemos nada (a bem da verdade, no máximo um debate com Marcia Cavalari – costas largas da pesquisa política), todo período eleitoral é traumático para os pesquisadores.

E, como sempre, os perdedores na pesquisa saem jogando CONTRA. Aliás, como acontece também nas empresas, quando a pesquisa mostra que o produto preferido do marketeiro não é aquele do gosto das consumidoras.

Tem coisa pior? Tem. Teve. Alguém conhece a historia do Maxime, nos tempos da ditadura? Exemplo antigo dos problemas de entendimento do que significa pesquisar. Ele teve que se explicar na delegacia sobre o que um entrevistador estava querendo, ao fazer tantas perguntas nas ruas. E quase foi preso, ao tentar explicar para que servia o questionário. A bronca do interrogador da época: "tá querendo me ensinar técnicas de interrogatório?"

Tem gente picareta fazendo pesquisa? Tem. É só ler as babaquices trocadas no grupo Empresas de Pesquisa, do Google. E vai ter cada vez mais, com as facilidades tecnológicas e informáticas. Nada contra a tecnologia, mas há que saber usar A FAVOR.

Tem cliente comprando pesquisa a troco de banana? É o que mais tem. E, muitas vezes, nem banana leva. O que faz pouca diferença, porque estes são os pouco comprometidos com a qualidade e com as conseqüências de suas decisões. A maior parte dos executivos, principalmente nas grandes transnacionais, está só de passagem, só galgando postos. Como políticos, experts em inaugurar placas de obras que nunca foram entregues.

Sempre há dois caminhos. Podemos deixar a visão pessimista – na qual a profissão vai se achatando (e acharcando), principalmente quando não sobrar mais expertise no ensinamento do processo amostral. Assim: a amostra é como sopa, que não é preciso tomar toda pra saber se está salgada. Mas e o método? Onde internet ou má fé podem mostrar apenas o lado do caldeirão onde a pimenta está concentrada?

Chegando lá: os interpretes da legislação eleitoral, na aplicação de tolerância zero, desconhecedores, como a grande maioria da população, das regras, normas e códigos da Pesquisa de Mercado, Opinião e Mídia, estão nivelando nossa atividade com as de palanques e comitês políticos, onde quem freqüenta o faz para fazer volume ou mesmo para se fazer notar pelo potencial candidato eleito. Para estes, servir água é uma mordomia e qualquer outra coisa é sim compra de voto.

Nas discussões em grupo ou clinicas de automóveis, entre outras técnicas, os participantes merecem muito mais do que bebidas e canapés pelo préstimo de seu tempo, às vezes por 3 horas ou mais, com objetivos muito mais nobres.

Precisamos encontrar os fóruns e os interlocutores para promover o entendimento destas diferenças e também a discussão dos passos futuros.

Está mais do que na hora de nos solidarizarmos com o Max em qualquer manifestação para levar o assunto adiante.
De todo modo, fica aqui mais um desabafo como outro feito há dois anos, neste mesmo Pesquisador Moderno, num dos seus primeiros posts. Na época, lembro de dois comentários. Quando isso vai mudar?
____________________________________________________________________
Este texto pode ser copiado, distribuído, reproduzido, transmitido ou publicado em outros sites desde que mantidas as mesmas referências ao autor e à este Portal (www.PesquisadorModerno.com.br)

Marcadores: ,

Leia mais!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mediação online

Por Renê Pimentel*
A incorporação das Tecnologias da Informação e Comunicação na educação vem sendo feita com o sentido de abrir possibilidades para fazer, pensar e conviver que não poderiam ser pensadas sem a presença dessas tecnologias (BONILLA, PRETTO, s.d). Como conseqüência, introduz uma nova (re)organização da visão de mundo e de seus atores, modificam hábitos cotidianos, valores e crenças, constituindo-se em elementos estruturantes das relações sociais, os processos evidenciam um movimento ininterrupto de (re)construção de cultura e conhecimento (BONILLA, 2005).
O papel do professor nesse cenário seria o de um agente de mediação na virtualização inerente à estratégia pedagógica adotada. Logo, a formação dita inclusiva precisará considerar uma visão ampliada de cibercultura, no ciberespaço e na cibercidade (LEMOS, 2004). Ou seja, a inclusão meramente tecnológica não sustenta a cibercidadania. É preciso garantir a inclusão do sujeito como autor e co-autor nos ambientes por onde ele transita de conexão em conexão. É preciso formá-lo para atuar na cibercidade ou nas redes sociais (re)configuradas pelas tecnologias digitais e pela Internet: home banking, votação eletrônica, imposto de renda, cursos, jornal, fóruns de discussão, e diversas atividades de trabalho.


Todavia, a formação para atuação nesse universo online não poderá estar dissociada da atuação do sujeito nas redes presenciais do espaço urbano. Participar, ser cidadão na era digital é mais do que estar conectado e consumir à distância, é atuar no ciberespaço com a perspectiva comunitária e política, sendo cibersujeito.


Neste sentido, Lemos (2004, p.24) afirma que: o capital social pode ser dinamizado a partir de um ‘Portal da Cidade’ com diversas informações sobre Ong’s, implementação de fóruns de debates, livres ou induzidos, por regiões, áreas de chats, propiciar a transparência informativa, disponibilizar serviços online e informações que incentivem a participação política do cidadão; deve-se também incentivar a construção de telecentros em instituições e centros comunitários, com terminais de livre acesso, e-mail grátis para todos, buscando lutar contra a exclusão digital. O objetivo é colocar os grupos sociais e indivíduos em sinergia, utilizando o potencial do ciberespaço como vetor de agregação social.


Assim, a inclusão cibercultural passa, portanto, por mobilizações com esta perspectiva e não meramente pela distribuição da conectividade. Eis aqui o compromisso que se agrega ao papel essencial da educação: formar a cidadania na cibercultura, na sociedade da informação.


Com Pierre Lévy (1993), pode-se verificar que o crescente desinteresse pela sala de aula é fenômeno mundial. Ele lembra que há cinco mil anos a escola está baseada no falar-ditar do mestre. Diz ainda que hoje a principal função do professor não pode mais ser a difusão de conhecimentos que agora é feita de forma mais eficaz pelos novos meios de informação e comunicação. Para esse autor, a sala de aula baseada na transmissão, memorização e prestação de contas não tem mais centralidade na cibercultura.


Martín-Barbero (2000), também atento aos desafios do nosso tempo cibercultural à velha sala de aula, afirma que os professores só sabem raciocinar na transmissão linear separando emissão e recepção. E alerta para o fato de que aumenta o hiato entre a experiência cultural na qual falam os professores e aquela outra na qual aprendem os estudantes.


De fato, a obsolescência do modelo tradicional de ensino escolar vem se agravando na cibercultura. Na sala de aula presencial da educação básica e da universidade prevalece a centralidade do mestre, responsável pela produção e pela transmissão do conhecimento. Na educação a distância via Internet, os sites educacionais, os ambientes virtuais de aprendizagem continuam estáticos, ainda centrados na disponibilização de informações, desprovidos de mecanismos de participação, de criação coletiva, e de aprendizagem construída. Ou seja, na educação online, o paradigma parece permanecer o mesmo do ensino presencial tradicional: o professor-tutor-conteudista é o responsável pela produção e pela difusão do conhecimento, e os estudantes continuam como meros receptores de informação. Logo, a educação continua a ser, mesmo na tela do computador conectado à Internet, uma repetição burocrática ou transmissão unidirecional de conteúdos empacotados.


Os estudantes, cada vez mais imersos na cibercultura, tendem a exigir uma nova contextualização do processo de ensino-aprendizagem. Eles integram a chamada geração digital e estão cada vez menos passivos perante a mensagem recebida. Eles aprenderam com o controle remoto da TV, com o joystick do videogame e agora aprendem com o mouse. Assim eles migram da estática TV tradicional para o computador conectado à Internet e à TV digital. Estão mais conscientes das possibilidades de programá-los e têm a possibilidade de escolha daquilo com o que querem interagir. Evitam acompanhar argumentos lineares que não permitem a sua interferência e lidam facilmente com a linguagem digital e hipertextual. Aprendem que deles depende o gesto instaurador que cria e alimenta a sua experiência comunicacional: interferir, modificar, produzir e partilhar. Essa atitude menos passiva diante da mensagem é o reflexo de sua exigência da nova sala de aula, seja na educação presencial, ou na educação a distância.


Então, é preciso reconhecer: antes havia os apelos de mestres valorosos como Paulo Freire, Vygotsky e tantos outros, enfatizando participação colaborativa, dialógica e multidisciplinaridade como fundamentos da educação, da aprendizagem; hoje há também o apelo da cibercultura questionando oportunamente a velha pedagogia da mera transmissão. Doravante, os programas de formação de professores precisarão enfocar questionamentos inadiáveis. Exemplos: o que é cibercultura? Por que o professor precisa reinventar sua sala de aula? Como situar participação colaborativa, dialógica e multidisciplinaridade na sala de aula, garantindo a formação cidadã no contexto cibercultural? Como utilizar a cibercultura a favor da melhoria da qualidade da educação? Qual será a principal função do professor na cibercultura, uma vez o falar-ditar do mestre passa a não ter mais centralidade? Os olhares para tais possibilidades deverão considerar as percepções de quem efetivamente participa de projetos inovadores, necessários, ousados, que possibilitam a construção do conhecimento coletivo e colaborativo, na contemporaneidade.


Neste contexto, os cursos online recebem muitas críticas no que tange ao processo de ensino-aprendizagem, pela ausência de estratégias pedagógicas consistentes (PIMENTEL, RIOS, SILVA, 2007). Logo, o professor precisa estar atento às formas de interação desenvolvidas nos espaços multireferenciais de aprendizagem, pois não basta enviar e receber mensagens, dar feedback e observar as dinâmicas individuais. O desafio posto aos sujeitos envolvidos é de estarem abertos a processos recursivos nos quais as interações caracterizam-se principalmente por sua construção dinâmica, contínua e contextualizada (PRIMO, 2007).


*Renê Pimentel é colunista do Pesquisador Moderno, conselheiro da Sociedade Brasileira de Pesquisa de Mercado, consultor em estratégia empresarial e professor universitário.
____________________________________________________________________
Este texto pode ser copiado, distribuído, reproduzido, transmitido ou publicado em outros sites desde que mantidas as mesmas referências ao autor e à este Portal (www.PesquisadorModerno.com.br)

Marcadores:

Leia mais!