Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Gerente do Ibope fala sobre pesquisas eleitorais

Fonte: Infonet

Kerma Toscano abordou as formas de fazer pesquisa e como elas são elaboradas.

As pesquisas eleitorais são constantemente utilizadas como indicadores para a elaboração de estratégias de campanha e para conhecer melhor os eleitores, bem como seus anseios e expectativas. Para esclarecer como são feitas as pesquisas eleitorais o Portal Infonet entrevistou Kerma Toscano, gerente regional do maior instituto de pesquisa da América Latina: o Ibope. No texto a gerente aponta detalhes das pesquisas e explica alguns aspectos que costumam causar dúvidas, a exemplo de como é calculada a margem de erro de uma pesquisa.



Portal Infonet - Como surgiu o Ibope?
Kerma Toscano -
O Grupo Ibope surgiu em 1942 com o empresário Auricélio Penteado, dono de uma rádio em São Paulo. Ansioso para saber como estavam os índices de audiência de sua emissora, o empresário viajou para os Estados Unidos para conhecer técnicas de pesquisa. Quando retornou, viu que esse era um mercado ainda pouco explorado no país e resolveu investir no ramo.


Quais são os setores em que o Ibope atua?
O Ibope atua com informações e pesquisa, auxiliando os seus clientes a tomar decisões de forma mais segura e com o menor risco possível. De uma forma geral, atuamos com duas vertentes: a pesquisa de mídia-voltada para os meios de comunicação e para o mercado publicitário, detectando audiências e com o Ibope Inteligência, que faz a maioria das pesquisas ad-hoc, ou seja, sob encomenda.

Como são feitas as pesquisas?
Temos diversas formas de fazer pesquisas, com várias metodologias diferentes. O que determina a que será utilizada será o objeto de análise e o tipo de estudo. Iniciamos com a seleção da amostragem, depois passamos para a coleta e análise dos dados, que pode ser eletrônica ou manual. Na maioria é utilizado um questionário no palm-top, onde são inseridos os dados, que depois são passados para o computador e tabulados.


Também temos entrevistas feitas por telefone que funcionam da mesma forma: o entrevistador faz a pergunta e automaticamente passa as respostas para o palm-top. Uma outra forma são os painéis, que não exigem a presença do pesquisador. Essa forma de fazer pesquisa é utilizada principalmente para a televisão e internet. Inserimos o painel na televisão e ele irá registrar os gostos e interesses dos telespectadores, assim como quanto tempo assistem televisão e etc. Nesse caso, selecionamos um grupo de domicílios que passa a colaborar com a pesquisa. Na internet o painel não é um aparelho, mas sim um programa.

No caso especifico das pesquisas políticas é feito por uma amostra de eleitores. É escolhida uma amostra representativa, selecionada de acordo com critérios estatísticos baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos Tribunais Regionais Eleitorais (TRE`s) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o universo a ser analisado dentro da realidade. As entrevistas são feitas de modo geral nos domicílios, escolhendo grupos específicos , que tenham um determinado perfil. Também temos a pesquisa de boca de urna, que é aquela feita no dia da votação e nas seções com quem já votou.

Como é definida a quantidade de pessoas que serão entrevistadas para uma determinada pesquisa?
O tamanho da amostra não é o mais importante, mas sim a representatividade dela. No caso da pesquisa eleitoral, primeiro consultamos os dados sobre os domicílios eleitorais e depois nos preocupamos em selecionar uma amostra que seja representativa dessa composição eleitoral. A escolha é feita com base na estatística e na probabilidade.

Como é calculada a margem de erros das pesquisas?
Como trabalhamos com estatística e não com números absolutos, existe uma margem de erro que depende do tamanho da amostra e dos resultados encontrados. Quanto maior a homogeneidade da amostra, menor a margem de erro. No caso das pesquisas eleitorais essa margem varia bastante em função da distribuição geográfica do eleitorado de cada um deles. Resumindo, a margem de erro depende da mostra e da quantidade de variáveis utilizadas.

Quanto tempo leva para fazer uma pesquisa?
No caso da pesquisa de mídia o tempo é bastante relativo. Aqui em Aracaju já fizemos uma para rádio que demorou oito dias e para televisão sete dias. Já as pesquisas eleitorais devem ser rápidas, pois geralmente são feitas em plena campanha política. De uma forma geral, demoram de dois a quatro dias.

As metodologias utilizadas são desenvolvidas por vocês ou são padronizadas mundialmente?
Existem várias empresas no mundo que fazem pesquisa e elas se unem e discutem as melhores formas, trocam experiências, discutem metodologias e processos. Mas nós também temos as nossas próprias tecnologias. O Ibope é o maior instituto de pesquisa da América Latina. Nós medimos televisão na América Latina inteira com os nossos aparelhos, que são desenvolvidos pela nossa equipe.

Quanto, em média, custa uma pesquisa?
No caso da pesquisa de mídia varia muito, pois inúmeras variáveis definem um custo. Nós calculamos o preço de acordo com o que atende melhor o cliente e do que ele quer saber. Nas pesquisas eleitorais as variáveis geralmente são: a amostragem utilizada, o tamanho do questionário e a análise dos resultados. No caso de uma pesquisa nacional, com uma amostra de 2 mil pessoas e um questionário com umas 20 perguntas, pode custa até R$ 85 mil.
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